Eu disse na escola que tinha alergia a Merthiolate, acharam era medo e em minutos eu toda empolada lá estava. Quem tem pouco (ou muito) mais de 30, sabe a relação direta entre o medicamento e a dor, não só pelas causas para o uso, mas também pelo ardor causado pelo danado liquido avermelhado. Eu, piveta que era, vivia ralando os joelhos, cotovelos, rancando os tampos dos dedos e um primo do Merthiolate me salvava com sopro cheio de bactérias curativas depois.
Ai, com o tempo criou-se uma fórmula que não arde e como muitos remédios a cura é a duras penas. Santa Água Maravilha! E esse post além das reminiscências, é uma ferida, que resolvi cutucar nessa prosa. Nessa onda do tudo sem açúcar, sal, lactose, glúten, sem dor, geração estranha que canta e exibe o sofrer como estilo de vida, gente exibida, estressada, desapegada, despachada além do senso do ridículo e do coletivo, reza a manada que gente antenada não sente nada, nem de ruim, nem de bom, suave na nave.
Babys, kids, teens anestesiados, que não sabem o que é ardor, fome, sede, espera em fila, paciência, tempo de preparo, época de tal fruta. Todos cercados de aparelhos, apetrechos, apps anti mimimis, pitis, ses, sempre a mão. Água, com gás, aroma, vitaminas, da torneira nem passa na cabeça, pela guela então! Bolachas e iogurtes sem gosto, smartphones inseparáveis, tablet, carregadores, analgésicos, contatos sem chance são decorados. Tudo assim misturado, insosso.
Filhos, maridos, esposas, amigos não podem esperar, nem meia hora, nem uma. Nem minutos para uma resposta nas redes sociais. Ou envios ficam no limbo, sem ser vistos ou vistos e não respondidos. Filas? Não! Restaurantes sem espaço específico para crianças não! Sem Wi-Fi não mesmo!
O viver as dores e esperas e o tanto que ensinam, a urgência por paciência em série para todos, resistência ao calor, ao frio, as mazelas, porque tem muita coisa que continua ardendo, doendo, demorando ainda que a moda seja camuflar e cultuar a falsa sensação de que nada mais é difícil, doído, doido, de que tudo é imediato, aceitável, que o prático vale mais que o rebuscado, que todo mundo é valente, contente, perfeito, saudável. Afff!
Que sopro maravilhoso com bactérias, que seja, e poesia! Para espantar o nosso estado de "anestesiados". Sem sentir, sem saber, sem exercitar. Paciência, penso ser o que mais falta...
ResponderExcluirCutucou bem a ferida! Isso alivia a dor que faz goelas engasgarem.
Agora, penso que empolada também deve ser palavra vinda de dicionários especiais. Eu não a conhecia!
Beijo.
Rarara
ExcluirEmpolada - com bolinhas, vermelhidão e afins
Dedo entrilhado - prensado, preso...
Me deu ideia e vontade de um livro dicionário de palavras familiares, inventadas e suas histórias
Boa noite, querida Tina!
ResponderExcluirUm misto de real e virtual, rs...
A vida tem lá suas mudanças e nós vamos dançando conforme a valsa se nos for de proveito, caso contrário, remando contra a maré... rs...
Bjm muito fraterno
ADOREI O TEU DIZER! SEMPRE LÚCIDA E VERDADEIRA! Vim deixar meu bjo e INTÉ a volta! chica
ResponderExcluirOi querida amiga, vim lhe desejar uma otima semana, beijos e fique com Deus!
ResponderExcluirMil desculpas pela ausência!!
Eu tb tive alergia, e qdo me perguntam tem alergia a alguma coisa? Eu sempre respondo não faço a mínima ideia rs...
ResponderExcluirbjokas =)
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